O pobre no orçamento, o super rico no Imposto de Renda
O pobre no orçamento,
o super rico no Imposto de Renda
A política econômica do terceiro mandato do presidente Lula foi estruturada a partir da premissa de que o crescimento só se sustenta quando seus resultados chegam à população. Sob essa perspectiva, combinou políticas de geração de emprego e renda, fortalecimento da proteção social, ampliação do crédito e aperfeiçoamento do sistema tributário em uma estratégia orientada pela expansão da atividade econômica, fazendo a roda gigante da economia girar, com inclusão social.
As diferentes políticas passaram a atuar de forma complementar, de modo que cada medida reforçasse os efeitos da outra.
Como a roda gira
O aumento da renda impulsiona o consumo, que estimula a produção, amplia os investimentos, fortalece o mercado interno e cria novas oportunidades de trabalho. Ao mesmo tempo, o fortalecimento da capacidade produtiva do país amplia as oportunidades de investimento e inovação, formando um ciclo em que crescimento econômico, competitividade e redução das desigualdades passam a caminhar lado a lado.
Emprego: recuperação consistente
O Brasil superou a marca de 62,89 milhões de vínculos formais em junho de 2026. Desde 2023, foram criadas 10,1 milhões de vagas formais, entre trabalhadores com carteira assinada (5,35 milhões) e agentes públicos nas três esferas (4,75 milhões). O desemprego bateu numa baixa histórica, de 5,4% no trimestre encerrado em junho. O mercado de trabalho nacional superou 100 milhões de brasileiros ocupados. O MEI segue trajetória de crescimento, somando 17,1 milhões de inscritos.
O resultado não decorre de uma única medida, mas da convergência de políticas. A valorização real do salário mínimo, a retomada dos investimentos públicos por meio do Novo PAC, a ampliação do crédito para famílias e setores produtivos e a manutenção de programas de transferência de renda impulsionam o consumo, estimulam a atividade econômica e contribuem para a geração de empregos.
Justiça fiscal
Fundos Exclusivos e Offshores iniciam justiça fiscal
A ampliação da isenção do Imposto de Renda apoia-se em um movimento iniciado ainda antes, com a Lei nº 14.754/2023, que passou a tributar fundos de investimento exclusivos (os chamados fundos dos "super-ricos") e rendimentos mantidos no exterior via offshores. Ao acabar com uma situação que permitia ao topo da pirâmide adiar indefinidamente o pagamento de impostos, a medida estabeleceu o princípio de tributação periódica (come-cotas) para grandes patrimônios. Essa arrecadação abriu espaço para aliviar a carga sobre a classe média e os trabalhadores de menor renda.
Isenção do IR como redistribuição via política tributária
A Lei nº 15.270/2025, sancionada em novembro de 2025, ampliou a isenção do IRPF para rendimentos de até R$ 5 mil mensais, com desconto parcial para a faixa até R$ 7.350. São mais de 15 milhões de brasileiros contemplados com a medida, e 25 milhões desde 2023, com o retorno do ajuste da tabela de isenção. Como contrapartida, o país instituiu uma tributação de até 10% para um público diminuto e que não contribuía até então com a sua devida parte: 140 mil contribuintes com renda anual acima de R$ 600 mil.
Reforma Tributária simplifica o sistema e cria cashback
Resultado de uma discussão que atravessou décadas, a Reforma Tributária aprovada ao longo do terceiro mandato representa a maior reestruturação do sistema de impostos sobre o consumo desde a Constituição de 1988. Inaugura uma transição gradual para um modelo mais simples, previsível e racional. A implementação será gradual até 2033. Uma das principais mudanças foi a criação da Cesta Básica Nacional de Alimentos. O novo modelo zerou a alíquota para 22 itens essenciais, como arroz, feijão, carnes, leite, café e sal, e estabeleceu redução de 60% para outros 14 produtos, como óleos vegetais e sucos naturais. A medida passa a valer a partir de 2027. Adicionalmente, o texto criou o "Cashback do Povo", que prevê a devolução de impostos sobre energia, gás e alimentos para famílias inscritas no CadÚnico.
Renda que circula
Bolsa Família focado na infância ativa a economia local
O resgate e a reformulação do Bolsa Família consolidaram a presença de quem tem menor renda no orçamento público com olhar focado na composição familiar. Além do piso de R$ 600, o programa introduziu adicionais de R$ 150 para crianças de até seis anos e R$ 50 para gestantes, nutrizes, crianças e adolescentes. O resultado imediato foi a redução em 91,7% de crianças na primeira infância que vivem em famílias na condição de pobreza ou extrema pobreza (renda mensal familiar de até R$ 218 por pessoa), como apontou estudo da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal (FMCSV).
O impacto ultrapassa a proteção social direta: por estar concentrado na população de menor renda, o programa gera um efeito multiplicador instantâneo no comércio de vizinhança e no setor de serviços dos municípios mais vulneráveis, transformando transferência de renda em giro econômico local. O Banco Mundial atesta o fato. A pesquisa "Cash transfers and formal labor markets: Evidence from Brazil" ("Transferências de dinheiro e mercados formais de trabalho: evidências do Brasil", em livre tradução) apontou que o programa tem o efeito econômico multiplicador nas regiões com famílias contempladas. Ou seja, de cada dólar investido no Bolsa Família, são gerados outros 2,16 na economia local.
Desenrola Brasil reabilita a capacidade de consumo
Paralelamente ao estímulo à geração de empregos, a estratégia de dinamização do mercado interno exigiu a desnegativação de milhões de consumidores. O Desenrola Brasil atuou na renegociação de dívidas bancárias e não bancárias com descontos médios superiores a 80%, permitindo que famílias limpassem o nome e recuperassem a capacidade de planejar o orçamento doméstico. A reabilitação do CPF da população serviu de ponte para que o trabalhador deixasse a inadimplência e voltasse a ter acesso a linhas de crédito mais baratas, como o consignado privado, integrando novamente a fatia ativa da economia.
Crédito simplificado fortalece microempreendedores
O apoio ao trabalho autônomo e ao pequeno negócio ganhou tração com o Programa Acredita e o Move Brasil Táxi e Aplicativos. O Programa Acredita é composto pelo Acredita no Primeiro Passo, Desenrola Pequenos Negócios, Procred 360 e Pronampe. Cada modalidade foi desenhada para atender desde empreendedores inscritos no Cadastro Único, MEIs, microempresas, até empresas de pequeno porte. As medidas facilitaram a renegociação de débitos operacionais e garantiram acesso ao crédito com juros reduzidos e garantias simplificadas via Fundo Garantidor de Operações. Ao proteger o caixa dos pequenos — responsáveis pela maior parte dos empregos no país —, a política fortalece a rede de microempreendedores que sustenta a atividade econômica nas periferias e centros urbanos.
No Pronampe e no Procred 360 há incentivo às empresas lideradas por mulheres. As empresas que tiverem o Selo Mulher Emprega Mais, e as que tiverem sócias majoritárias ou sócias administradoras mulheres poderão pegar empréstimos maiores, de até 50% do faturamento do ano anterior. Nos demais casos, o teto é 30% do faturamento do ano anterior. Reformulado, o Pronampe garante a retomada de crédito e empréstimos financeiros; da regularização e formalidade empresarial; a possibilidade de renegociação dos créditos, mesmo após a honra, sob as mesmas condições de créditos próprios dos bancos e; expansão do prazo para leiloar créditos não recuperados de 18 para até 60 meses.
O Move Brasil Táxi e Aplicativos é uma iniciativa que facilita que motoristas de táxi e de aplicativos comprem carros novos com juros mais baixos. O programa estabelece linhas de financiamento com condições facilitadas, exclusivas para a aquisição de automóveis novos, e voltada especificamente para profissionais que atuam no transporte individual de passageiros.
Consignado do trabalhador com melhores condições
O programa Crédito do Trabalhador tinha, até julho de 2026, uma carteira ativa com mais de 10 milhões de profissionais com acesso ao consignado via carteira assinada, com 25 milhões de contratos ativos e R$ 140 bilhões em valor total. A iniciativa insere o crédito como instrumento de dinamização da economia. Sustentado pela expansão do emprego formal, o programa amplia o acesso a uma modalidade de financiamento com juros bem mais baixos e maior previsibilidade, permitindo que trabalhadores substituam dívidas mais caras e preservem maior parcela da renda para o consumo.
Produção e recordes
O Plano Safra financia produção agropecuária
O crédito rural saltou de R$ 340 bilhões no ciclo 2022/2023 para mais de R$ 435 bilhões em 2023/2024, chegando a mais de R$ 610 bilhões no ciclo atual 2026/2027, recorde da série. Desde 2023, já são mais de R$ 1,2 trilhões concedidos, sendo R$ 1 trilhão ao agronegócio e R$ mais de R$ 207 bilhões à agricultura familiar via Pronaf. O desempenho do Plano Safra evidencia a estratégia adotada pelo governo de ampliar a capacidade produtiva do campo sem dissociá-la de compromissos ambientais. A expansão do crédito rural ocorreu em paralelo ao fortalecimento da fiscalização e à redução do desmatamento, demonstrando que o aumento da produção pode caminhar com a preservação, a segurança alimentar e a competitividade do agronegócio brasileiro.
Comércio exterior bate recorde histórico de exportações
Mesmo diante de um cenário de tarifas unilaterais aplicadas pelos Estados Unidos, o comércio exterior brasileiro alcançou em 2025 o maior resultado da série histórica iniciada em 1989. Em 2025, as exportações somaram US$ 348,7 bilhões e superaram em US$ 9 bilhões o recorde anterior, registrado em 2023. O desempenho foi impulsionado por recordes nas vendas de produtos como soja, café e carne bovina. O resultado sintetiza uma estratégia que combina diplomacia comercial, ampliação de mais de 675 mercados ao agro brasileiro, fortalecimento da produção e aumento da competitividade. Ao ampliar oportunidades no exterior, o comércio internacional reforça o ciclo de crescimento sustentado por políticas internas: impulsiona produção, investimentos, geração de empregos e aumenta a renda.
"O crescimento só se sustenta quando seus resultados chegam à população."